02/04/2017

"Do we need somebody just to feel like we're alright?"

Há alturas em que gosto de estar solteira. Pode parecer um tanto ou quanto egoísta e/ou insensível da minha parte, mas sinto-me livre. Gosto de fazer o que me apetece sem ter que dar satisfações a alguém e sem ter que me sentir como que "obrigada" a estar com alguém.
Mas também há alturas em que me sinto demasiado sozinha. Alturas em que sinto falta de uma companhia, de alguém com quem conversar e com quem passear, mesmo que sem destino. Alturas em que sinto falta de afecto e em que me sinto ridiculamente carente. E, nessas alturas, sim, gostava de ter alguém. Até porque parece que a vida não tem graça e que não faz qualquer sentido sem amor. Pelo menos, é essa a ideia transmitida em todo o lado.
Talvez tenha ficado habituada a ter sempre uma pessoa por perto quando precisava. E, de repente, fiquei sem ela. Deve ser por isso que me sinto tão só. Por isso e por me ver, agora, sem ninguém do meu lado, sem ninguém que se importe minimamente e que se lembre de mim de vez em quando.
Durante uns tempos, tentei colmatar esta solidão e esta "falta de alguém" saindo de casa e tentando fazer qualquer coisa de diferente com a minha mãe ou com um e outro amigo, de vez em quando. No entanto, apesar de a minha mãe também estar sempre disponível quando preciso, não foi necessário muito tempo para perceber que sair com ela só me fazia sentir pior. Mais sozinha e mais triste, como se tal fosse possível. Com amigos, é o oposto: sinto-me animada, acho que os meus problemas são pequenos e sem sentido, que estou a ser ridícula por estar triste e que posso fazer qualquer coisa. Mas cada um tem a sua vida e é sempre tão difícil encontrar-me nem que seja apenas com um deles. Acabo por me sentir irritada - e triste, também - quando levo uma resposta negativa a algum convite que faça e devido ao facto de, na grande maioria das vezes, ser eu a lembrar-me deles. Ao ponto de, durante uns tempos, desistir de convidá-los para o que quer que seja e deixar a minha tentativa de vida social de parte.
Tudo isto para dizer o quanto as pessoas começam a cansar-me. Por me desiludirem, por me magoarem, por me deitarem abaixo e por alimentarem os horríveis pensamentos negros causados pela depressão, ainda que não tenham consciência de que o façam.
Ainda há uns dias atrás, achei que seria bom conhecer outras pessoas. Mas, agora, já não o quero fazer. Só trariam mais desilusões.
Assim que o pus na cabeça, e assim que me apercebi que colmatar a solidão com outras pessoas também não era tão benéfico assim, achei por bem começar a sair sozinha. A ir para onde bem me apetecesse, sem dar satisfações, sem ter que me esforçar por manter uma conversa e sem ter que suportar aquelas irritantes conversas de circunstância. Achei que teria que aprender a desfrutar da minha própria companhia, e foi o que fiz durante uns dias. Surpreendentemente, não me senti sozinha. Senti-me livre.
E, com isto, veio uma dúvida. Será que precisamos realmente de alguém para sermos felizes?

16/03/2017

"Where did I go wrong? I lost a friend"

Talvez tenha sido estúpida por pensar que ex-namorados podiam ser amigos.
Pensava que, passado um tempo, pudéssemos voltar a falar. Que pudéssemos voltar a encontrar-nos e conversar sobre como estávamos, o que andávamos a fazer e quais eram os planos para o futuro.
Como sempre, fui ingénua. Sempre a tentar ver o melhor nas pessoas. Sempre a desiludir-me.
Custa. Porque, no fim de contas, acabei por perder um amigo. E custa saber que nunca falaremos de novo, que não suportarias estar no mesmo espaço que eu e que, muito provavelmente, me virarias a cara se passasses por mim na rua e fingirias não me conhecer se me visses em qualquer lado.
Sei que te magoei. Mas uma coisa é estar-se magoado, e, isso, o tempo acaba por curar, ou assim eu espero acreditar. Outra coisa é ignorar, ser-se parvo e mal-educado, agir como se eu não fosse nada. No fim de contas, parece que é mesmo isto...acabei por não ser nada. Depois de tanto tempo, parece que te foi passada uma esponja pela cabeça que te levou todas as memórias, como se nem sequer me tivesses conhecido.
Pensava mesmo que seríamos amigos. Enganei-me, como sempre. As minhas esperanças morreram com as atitudes que tiveste numa única semana.
Seja. Não vou gastar mais palavras.

11/03/2017

Living in the dark

Desenho da minha autoria.

Olhar para o espelho e só ver defeitos em mim mesma. Lembrar-me apenas de momentos maus do passado e de más escolhas. Ver um futuro completamente negro. Disseram-me que estes eram sinais de início de uma depressão. E ouvir estas palavras em voz alta só me deu vontade de chorar. Chorar por não fazer ideia de como cheguei a este ponto, o de bater quase no fundo do poço e de não saber como regressar à tona. E chorar por sempre ter pensado que isto era algo que só acontecia aos outros.
Já dura há uns meses e é, provavelmente, a pior sensação de que tenho memória. Existem altos e baixos. Dias normais, em que me sinto bem, animada e bem-disposta; dias em que sou eu mesma, portanto. E dias em que estou no extremo oposto - dias em que me sinto de rastos. Por vezes, um dia começa bem ou de uma forma normal. Mas, a certa altura, um pensamento, uma conversa ou o próprio ambiente que me rodeia faz-me escorregar e cair para dentro do poço. E começo a cair cada vez mais, até os pensamentos negros tomarem conta de mim. É algo que surge do nada e que pode durar horas ou dias. Depois, de repente e sem qualquer explicação, encontro o caminho de novo para a superfície do poço e lá estou eu outra vez, de bem com a vida. Mas sempre com a consciência de que vou escorregar de novo, mais cedo ou mais tarde. Assim é desde há uns meses atrás: altos e baixos contantes. Tem sido impossível passar mais de uma semana sem pelo menos um dia mau. Uma semana foi, aliás, o meu recorde. Eles voltam sempre. E parece que este é um ciclo que nunca irá terminar.
Num dia mau, choro que me farto durante horas. Graças a isso, fico sem fome, fico cansada, dói-me a cabeça, choro até adormecer e, mesmo assim, acordo a meio da noite e mantenho-me acordada por demasiado tempo. Num dia mau, só quero estar sozinha, enroscar-me e chorar. E, nesses momentos, das duas, uma: ou quero que o tempo páre, ou quero adormecer para que o dia seguinte chegue, e isto para que possa sair de casa novamente e para me manter ocupada. Nesses momentos, outra das coisas que acontece é surgir um turbilhão dos mais variados pensamentos.
O último lugar em que quero estar depois de sair do trabalho é a minha própria casa. A minha própria família irrita-me. Irritam-me os sons, as vozes e as rotinas que existem na minha própria casa; é como se não me sentisse bem nela e preferisse estar num sítio só meu. Sair com a minha mãe faz-me sentir sozinha e como que uma falhada. Sinto-me frustrada por causa do curso que tirei e por causa da Ordem. Dou por mim a detestar o meu trabalho, a arrastar-me no meu local de trabalho e a ser irritadiça com todos os meus colegas. Por outro lado, parece que me sinto melhor no meu local de trabalho do que em casa. Apodera-se de mim uma enorme vontade de fugir, de desaparecer deste lugar e de nunca mais voltar. Deve ser por isso que só me sinto mais animada quando não estou em casa ou quando penso nas viagens que vou fazer este ano. Sinto-me uma completa inútil quando chega o fim-de-semana e quando não tenho planos. Sinto-me sem objectivos, e isto porque parece que tudo deixou de me interessar. Num dia mau, é tudo tão feio e tão triste, que nada parece fazer sentido. Sinto-me demasiado sozinha. Sinto que não tenho ninguém e que nunca vou encontrar alguém que goste realmente de mim. Sinto que ninguém se preocupa e que ninguém gosta de mim, apesar de me serem dadas provas do contrário, muitas das quais eu mal acredito, talvez por me sentir uma pessoa horrível. Sinto que só faço porcaria e que não valho nada. Sinto que não sou indispensável para ninguém e que não faria falta a ninguém se desaparecesse. Num dia mau, só vejo o tempo a passar enquanto estes pensamentos tomam conta de mim. Sinto que jamais serei feliz. Não tenho vontade para nada e é como se nada valesse a pena. Sinto-me perdida, sem rumo, sem quaisquer objectivos e sem nada pelo qual lutar; acho, até, que nem vale a pena lutar pelo que quer que seja. Esqueço-me de que tenho sonhos e desisto de tentar mudar a minha vida em prol da minha felicidade e do meu bem-estar. Por achar que não servirá de nada e que bastará ver os dias a passar, um de cada vez. Num dia mau, até o facto de estar sol me irrita. Uma das poucas coisas que me apetece fazer é estar com alguém e falar com alguém, sobre tudo isto ou sobre outros assuntos quaisquer que me distraiam, mas parece não existir uma única alma disposta a ouvir-me e a consolar-me, ou a perder algum do seu precioso tempo comigo. Num dia mau, apenas a música e a arte me puxam para cima. Desenhar permite-me expressar-me e acalma-me, assim como me distrai. E a música parece funcionar como um escudo que mantém os pensamentos negros à margem.
É difícil expressar isto por palavras; parece que não são suficientes. Mas assim tem sido, desde há uns meses atrás, intercalado com dias bons ou, pelo menos, melhores e normais. Pior do que saber que isto não leva a lado nenhum, é não saber como escapar. Os pensamentos negros apoderam-se de mim e deixam-me de rastos, mas, mesmo quando me deixam, mantêm-se à margem, prontos a atacar de novo a qualquer instante. E o ciclo repete-se. Por mais que me tente distrair e tente ser positiva e andar animada, eles encontram maneira de entrar e de atacar novamente. Sempre. Parece que, agora, se tornaram numa parte de mim e que nunca me irão deixar.

20/02/2017

Todos têm o seu próprio timing, certo?

Ir para a escola. Terminar o secundário. Entrar na universidade. Tirar um curso. Encontrar um emprego. Trabalhar. Sair de casa dos pais. Casar. Ter filhos. O resumo da vida. Ou melhor, o resumo daquilo a que a sociedade chama de vida e que, supostamente, toda a gente tem que seguir.
Fui para a escola e fiz o secundário sem nunca ter perdido um ano e sem nunca ter voltado atrás. Sempre com boas notas para poder entrar na universidade, apesar de não ter grande desejo em fazê-lo - simplesmente, assim tinha que ser. Tirei a carta de condução logo depois de fazer dezoito anos, não porque quis, mas porque assim tinha que ser - e também porque, honestamente, me senti pressionada a fazê-lo. Entrei na universidade logo depois de concluir o secundário, quando nem sequer sabia o que queria da vida e sem sequer me sentir preparada para tal. Coisas que se notaram quando ganhei coragem de admitir que queria desistir e voltar atrás. Voltei a entrar na universidade no ano seguinte, mas ainda sem certezas quanto àquilo que queria. Tive vontade de desistir novamente e de voltar atrás, mas não quis dar mais uma desilusão a toda a gente. Conformei-me e aguentei o curso até ao fim. Licenciei-me e comecei a procurar trabalho. Encontrei um estágio remunerado, pelo que comecei a trabalhar e a ganhar o meu próprio dinheiro. Ao mesmo tempo, mantinha uma relação de alguns anos.
Podia parecer que estava a ir bem. Isto é, que seguia os ideais da sociedade no que toca à sua versão de "vida perfeita". Podia parecer, mas as aparências enganam muito.
Como disse, não tirei um curso que me fizesse feliz e me fizesse sentir realizada. Conformei-me. Não gosto propriamente do meu trabalho, mas preciso dele. Não posso, sequer, trabalhar noutro sítio qualquer por não pertencer à Ordem da minha amada profissão. E, no que toca à relação de alguns anos, acabou por terminar. Com isto, não me conformei. Estava cansada de me conformar.
Estava, e estou. Há alturas em que me apetece largar tudo e começar de novo. Só para não ter que me conformar com o facto de ter uma profissão que não me diz nada e de viver num sítio ao qual não sinto que pertenço.
Ao mesmo tempo, sinto que fazer isso seria como voltar para trás.
Tenho quase vinte e cinco anos e este é o resumo da minha vida: tirei um curso cuja profissão não é a minha praia, estou a fazer um estágio remunerado e não posso trabalhar antes de pertencer à Ordem, estou solteira e ainda vivo com a minha mãe. E vejo todas as pessoas à minha volta, nomeadamente as da minha idade ou as que lá andam perto, com a vida encaminhada. Tiraram o curso que queriam e não tiveram que passar por mudanças de curso, trabalham, têm uma relação estável que parece irritantemente perfeita, saíram de casa dos pais ou pensam fazê-lo, casaram ou pensam em casar-se.
Por um lado, sinto-me completamente ultrapassada por toda a gente. Mas, por outro...será que todos têm que seguir aquele rumo ridículo imposto pela sociedade? E se eu não quiser? (Não quero, de todo, pois não quero ter filhos) E se eu quiser voltar atrás; e se eu tiver que bater com a cabeça contra a parede várias vezes até descobrir o que quero fazer da vida? E se só o descobrir daqui a uns tempos e isso me obrigar a voltar atrás?
Oh, já sei. Vão falar. Vão criticar. Vão mandar boquinhas. Porque não cresço. Porque não sei o que quero. Porque, com a minha idade, devia estar a fazer isto e aquilo, e não aquela outra coisa. É ridículo, mas é o que acontece.
Com tudo isto, chega-se à conclusão - chegaram por mim, melhor dizendo - que andei a viver em função dos outros. A fazer as coisas por causa da opinião dos outros, por causa daquilo que iriam pensar. Quando a vida é minha e quando, supostamente, devia fazer aquilo que quero. Mesmo que não siga o ritmo de toda a gente e mesmo que demore a chegar ao "patamar" onde todas as pessoas da minha idade se encontram agora. Devia focar-me mais em mim e pensar em mim. O problema é que nem sempre o consigo.

19/02/2017

About Valentine's

Este ano, por muito que tivesse dito a mim mesma que este dia passar-me-ia ao lado, dei por mim a lembrar-me do dia dos namorados do ano passado. Talvez por ter feito um dia de sol maravilhoso, tal como no ano passado. Lembro-me perfeitamente de como foi. E, consequentemente, lembrei-me dos anteriores. Dos filmes, dos jantares, de um em que recebi um presente-surpresa através do correio, de um outro que se resumiu a uma viagem de comboio e a um singelo jantar de pizza, do primeiro a sério e do outro antes, em que recebi duas cartinhas parvas e engraçadas. Costumava detestar este dia; depois, passei a gostar; e, passados uns aninhos, achei-o desnecessário e começou a ser-me indiferente.
Este ano, foi um dia normal. As memórias vieram à tona, mas não deixou de ser um dia normal. Não houve cartinhas, nem presentes, quanto mais um programa especial. Um dia normal, mas que não me deixou tão indiferente assim. Já me cansam as exibições de felicidade de todos os casais e mais alguns num dia normal, quanto mais no dia dos namorados. É ver toda a gente a vomitar amor e felicidade através de fotografias nesse dia em especial. Completamente desnecessário, na minha opinião. E completamente irritante, também.
Estou sozinha por opção. Foi das poucas vezes na minha vida em que tomei uma decisão a pensar em mim mesma, e não nos outros - naquilo que os outros iriam pensar, mais concretamente. Fiz o que achei que seria melhor para mim, até porque continuar a arrastar algo que, para mim, perdera o sentido não seria justo para ninguém e traria tudo excepto felicidade. Na grande maioria dos dias, sinto-me bem, de facto. Mas há dias em que me sinto sozinha. Demasiado sozinha.
Não digo que me arrependo da decisão que tomei. É apenas isso, o sentir-me sozinha. Parece que nunca estamos satisfeitos. E, com todos estes pensamentos que surgiram neste dia, dei-me conta das voltas que a vida pode dar...